sobre regressos

havia sim teu rosto em minha gaveta: último papel impresso de uma pilha de papeis impressos – guardados para que ocasião? ele restava ali e poeira alguma havia desgastado a suavidade dos pelos que o moldavam. e reencontrá-lo é sempre como a vez primeira que o encontrei: um susto pequeno que a possibilidade sempre causa. essa náusea. esse tremor discreto e sem antecedente. é sempre novo. me é sempre por inteiro.

reencontro teu rosto em meio a post-its, bics que não riscam e corretivos que secaram. vai ver que é isto: teu rosto foi eternizado numa daquelas tarefas mimeografas que trouxemos para casa. e erramos. e se passarmos a borracha, mancha; e se tentarmos com mais força, rasga. e se passarmos o erroex já era: restará um grude criando relevos ainda mais quasímodos.

e perdura assim, em mim, o gosto pelo teu rosto que não risco, que não rasgo e que não nego.

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