a dançarina

Ela dançava. Se por felicidade ou desespero, nunca saberei

Convenço-me que pelos dois.

Ela dançava descalça; seus pés deviam ter 40 anos de passos desritmados. Mas os seus gestos, naquela praça, destoava dos nossos gestos de esperadores de ônibus e transeuntes anônimos.

A dança talvez fosse um modo de não ser invisível.

Enquanto dançava, afastava de si o cidadão de bem que lhe pensava como criminosa, por dar outro ritmo à praça; chamava para si a atenção da criança, que nunca vira aquilo.

Afinal fomos educados que a dança é pra festa. Ou pro pecado. E, normalmente, estas estão juntas.

Pego meus ônibus, inerte. E me pego pensando quantas vezes ela repetiria aquela coreografia.

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