Sobre Estradas II

Sem introdução, ele me perguntou o porquê da morte.

E nem me deixou esboçar respostas: já foi emendando que a morte é um não-movimento. Eu, acuada, tracei um gesto, apontando para o horizonte, onde ela repousaria. E ele já foi, felino, olhando de lado, voltando a vista à imediata paisagem verde-escura que se confundia com a própria noite.

Ele é meu herói, embora passe uma parte do tempo sendo um tanto bobo.

Quando tornou os olhos a mim, como se encenasse uma entrada triunfal, continuou a falar do próprio movimento da vida e daquilo que já deixamos de ser. Não, não queira aqui, caro leitor, retirar quaisquer intenções metafísica: era geneticamente modificado o que ele dizia. Afinal, já deixamos de ser muitos de nossos genes e ainda seremos muitos daqueles que ainda não somos, raciocinou em voz alta. Como aquela árvore que está logo ali depois da curva e ainda não a vemos.

Claro que esta foi a minha, e só minha, conclusão.

E ele continuava lá, com o desconforto da inteligência não entendendo o porquê da morte em mim.

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