Trilha Sonora da Casa – Silverchair

Estou adolescente, esses dias.

Na verdade, tão assustadora para adultos, a adolescência é contestação. E, como adultos, nossa tendência é temer qualquer coisa que nos faça sair da cama uma hora mais cedo.

Minha trilha sonora tem sido assim, teenage.

Talvez porque eu tenha me revisitado, talvez porque eu tenha conhecido alguém. Uma nova amizade sempre nos reorganiza. O sistema muda, melhoramos. Ou não. Ou descobrimos que aquela coisa de signo – que, lógico, não acreditamos – nos pega de jeito; mito que explica: Sagitarianos não falam o que pensam; mas pensam o que falam.

Aquele momento em que o contrário nunca será verdadeiro.

Mas do que eu falava? Ah, da trilha sonora e de que conheci alguém. Essa pessoa, ariana apaixonada pelo conhecimento, foi adolescente na mesma época em que eu. Ouviámos as mesmas música e até nos vejo , no mesmo instante, separadas por quilometros geográficos, recortando pôsteres daquele cantor, daquela banda. Copiando letras de músicas nas agendas, coloridas pelos adesivos. Aconteceu naquele tempo, quando ainda deixávamos a fita no aparelho de som, ouvido a rádio o dia todo, para gravar aquela música. Ou economizar o mês todo do lanche para comprar o cd. E fora neste tempo que eu ouvia Silverchair. E a Thaís me lembrou.

De certa forma, foi lembar do que se era e daquilo que não mais se é.

Sobre Estradas II

Sem introdução, ele me perguntou o porquê da morte.

E nem me deixou esboçar respostas: já foi emendando que a morte é um não-movimento. Eu, acuada, tracei um gesto, apontando para o horizonte, onde ela repousaria. E ele já foi, felino, olhando de lado, voltando a vista à imediata paisagem verde-escura que se confundia com a própria noite.

Ele é meu herói, embora passe uma parte do tempo sendo um tanto bobo.

Quando tornou os olhos a mim, como se encenasse uma entrada triunfal, continuou a falar do próprio movimento da vida e daquilo que já deixamos de ser. Não, não queira aqui, caro leitor, retirar quaisquer intenções metafísica: era geneticamente modificado o que ele dizia. Afinal, já deixamos de ser muitos de nossos genes e ainda seremos muitos daqueles que ainda não somos, raciocinou em voz alta. Como aquela árvore que está logo ali depois da curva e ainda não a vemos.

Claro que esta foi a minha, e só minha, conclusão.

E ele continuava lá, com o desconforto da inteligência não entendendo o porquê da morte em mim.

Poesia de Outrem – Caio Fernando Abreu

Caio-Fernando-AbreuDIÁLOGO

Para Luiz Arthur Nunes
A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Eu estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: É.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.
B: Eu não sei. Por favor, não me confunda. No começo era claro. Tem alguma
coisa atrás, você não vê?
A: Eu vejo. Eu quero.
B: O quê?
A: Que você seja meu companheiro.
B: Hein?
A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.
B: Você disse?
A: Eu disse?
B: Não. Não foi assim: eu disse.
A: O quê?
B: Você é meu companheiro.
A: Hein?
(ad infinitum)
Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados

Trilha Sonora – Blind Guardian

A imagem poética da multidão, dos lugares lotados, nunca me motivou.

Porém, ontem, deixei meu cantinho mofado e fui ao show do Blind Guardian, por que, né?

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Agora estou aqui, precisando de, no mínino, uma garganta nova.

Enquanto isso,  Hansi Kürsch não precisa de nada. Sabe aquela coisa que você sempre escuta de quem vai a shows: De que a voz do cantor ou cantora era muito diferente da voz da gravação? Então, a voz de Hansi é IGUAL dos cd´s! Na verdade, fica até melhor, porque você vê que não tem nenhum truque para toda aquela extensão e todo aquele tom único.

Aqui em Recife, eles cantaram uma música a mais, porque, segundo ele, “nós merecíamos”!

O show só não foi perfeito porque eles não apresentaram Bright Eyes, mas tudo bem, a gente perdoa.