Sobre Estradas

Para Cida.

Falo como quem fala em movimento, mas parada estou. Referências, apenas estas. Quem se moveu, a meus olhos, foi o arbusto sobrevivente ao canavial, não eu.

Passo por um velho, pesado e beligerante ônibus: Ele fica para trás, parado, e só agora me percebo em movimento. Mesmo que ele, em sua existência de ônibus, se veja em movimento em relação ao arbusto inerte que fica para trás, correndo em direção contrária a mim.

Me perco em conceitos, mas nada me foge aos olhos: dou nome às árvores, converso com nuvens e percebo, ainda que tímida, a morte acenar num sempre mais próximo horizonte.

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