Girassol Espantalho – Vilmar Carvalho

Deduza: quantas luas passaram?

Que o meu rosto de espantalho

A ninguém quer assustar…

Pense na solidão

Sem argumentos medonhos;

Pense e repense o sonho

E não o chame de pesadelo

Porque estava solitário

E à margem do caminho

Sem avisar…

Estou e estou

Ligado à atmosfera

E à ronda luminosa

Dos pássaros!

Deduza: quantas luas passaram?

Repense o sonho

Que nos envolvia…

Não desista cedo

E deixe o susto servir

E guiar-nos, por onde circulam

Os rumores de que os pássaros

Devoram a luz!

Estás e estás

Ligado à palavra

E à metamorfose

Das metáforas!

Feio e doente camarada, os olhos desse besouro

Nunca saem de órbita!

A estática é mentirosa

E a parábola está

Na inércia letárgica das asas…

Doença que enraiza?

Dialética sem pernas?

– Um espantalho engana muito!

Um besouro engana…

O silêncio engana…

O Girassol engana?

As asas são palavras

E nenhuma palavra é letárgica!

A parabola é que a poesia

– Toda poesia –

Também engana!