Desapego

Eu penso na festa que não fomos, quando você dançaria desastrosamente, porque dançar é a última coisa que sabes fazer. Mas, convenhamos, eu estaria muito bêbada para dançar bem. Porque eu até danço bem, até que a vodca me leva a fazer movimentos estranhos com a cabeça e eu perco o eixo facilmente.

O que isso importaria, afinal, se acabaríamos mesmo em risadas escandalosas dentro de um taxi? Você fingindo que o sono nem estava chegando e eu louca para sair logo daquele carro, pois o movimento estava me dando enjoo? Desculpa… eu até me repito em alto som, porque sei que eu vomitaria no elevador do teu prédio.

Por mais que eu queira pensar em um sexo louco, com a gente se pegando, se querendo, se embolando, penso mesmo que apagaríamos. Eu ainda com gosto azedo na boca e você sequer tirou a camisa que estava vomitada na manga. Nada dos teus pelos. Nem do teu cheiro. Nem de nada.

Paro por aí porque depois lembro que tudo isso é mentira de uma mulher que nunca soube o que era verdade.

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