Onze Anos

Primeiro um poema. E neste link, o poema cantado para quem quiser ouvir.

 

Amor de índio – Beto Guedes

 

Tudo que move é sagrado

E remove as montanhas com todo o cuidado, meu amor.

 

Enquanto a chama arder, todo dia te ver passar

Tudo, viver a teu lado

Com o arco da promessa

No azul pintado pra durar.

 

Abelha fazendo o mel vale o tempo que não voou;

A estrela caiu do céu, o pedido que se pensou;

O destino que se cumpriu de sentir seu calor e ser todo,

Todo dia é de viver para ser o que for e ser tudo.

 

Sim, todo amor é sagrado

E o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor.

A massa que faz o pão vale a luz do seu suor

Lembra que o sono é sagrado

E alimenta de horizontes

O tempo acordado de viver.

 

No inverno te proteger, no verão sair pra pescar

No outono te conhecer, primavera poder gostar.

No estio me derreter pra na chuva dançar e andar junto.

O destino que se cumpriu de sentir seu calor e ser todo.

 

Depois minhas palavras:

Nesse dia, quando comemoramos onze anos juntos, quero dizer que tanta coisa mudou. Mudou porque se move; porque somos humanos e, se pararmos, adoecemos. Estou feliz porque mudamos na mesma sintonia.

Não que seja fácil, mas também não é nada difícil. É que é uma dificuldade que me parece tão natural, sei lá, como dar os primeiros passos, como desabituar do seio materno, que eu não enxergo a escolha de permanecermos lado a lado como um obstáculo ou uma quest épica. “E era simples, ficamos fortes”, diz outra música que tanto gosto.

Acho que você me reconquistou diversas vezes. Algumas talvez sem nem perceber, como quando alguém falava que a “mulher teria sido feita da costela de Adão, não para estar abaixo ou atrás dele, mas ao lado” – como se essa frase fosse bonita – e você disse “e por que não sou eu ao estar ao lado dela?”. Lembro que pensei: mais dez anos de amor garantidos.

O que eu quero te dizer hoje é aquilo que te disse há 11 anos: “vamos ficar e a gente vê no que dá”. Porque eu quero ficar hoje, te amar hoje, rir contigo hoje; até mesmo chorar, se for inevitável. Acho que ter um casamento legal é isso: encontrar alguém com quem você possa rir da maioria das coisas e chorar só quando for impossível não o fazer.

Feliz onze anos, Kirlian Silvestre. Que venham mais outros tantos anos.

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2 pensamentos sobre “Onze Anos

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