Improviso

Nada a dizer.

Nestes dias, nada me comove.

Nada me propõe um verbo e sequer reconheço-me poeta.

Talvez nem seja.

Talvez seja apenas o engano alheio

Que se torna o aplauso desejado por meu ego.

Mas, nestes dias, desprezo-o.

Recolho-me a um canto, sem camisa,

Lendo poemas sempre lidos, sempre ecos.

Neles me encontro muda.

 

Sequer uma despedida se anuncia…

Sequer um beijo na testa, inocente convite.

 

Nada interrompe meu silêncio.

Permito-me sentir a morte,

Tão bela quanto mil aves negras

Que levantam vôo,

Em um quase desespero.

 

É fim de tarde.

 

Virgínia Celeste Carvalho

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