Poética do Nascimento

Nasceu à espera de um milagre:  inseto verde na folha e um predador à espreita. Era a nossa imagem, inadvertida, mas pretensiosa: pétala de chuva na ânsia de um dilúvio. Inunda-me, eu até pensei, olhos fechados, e senti uma leve lágrima cair de minha pálpebra. Onde a chuva, meus deuses, onde? O milagre não veio e as montanhas continuaram a olhar-nos serenas, mas intransponíveis. Nem um passo, eu sei, apenas um pingo e um arrepio: o inseto é apenas uma esperança, eu disse meio confusa, e ninguém entendeu.

Agora, o predador se sacia.

 

Virgínia Celeste Carvalho

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