Poética da Infância

Saudadinhas do soldadinho. Eita, voou! (B. Cortizo)

Tem um soldadinho no jardim. Gostinho do tempo de criança no canto da boca, sabor graviola, por favor! O soldadinho foi embora… Não! Ainda está ali, na corda do balanço. Me balança? Não tão forte. Me segura agora, que eu vou cair. Mas até que o chão é macio até o Merthiolate chegar.

O soldadinho voou com o grito, mas o pé de laranja nem é tão longe assim. Ninguém brinca de gangorra, sozinho. E sozinha eu estava até esta manhã. Então este sol nasceu e nos convidou para vir aqui, mesmo com essa terra ainda molhada. E se sujarmos a roupa de barro, o castigo é certo.

Não toca no soldadinho! Já foi, agora uma de suas asas se desfez. Ele não pode mais voar… Traz para árvore, talvez ele possa viver! Afinal vivemos mesmo com a corda do balanço apodrecendo sob a chuva de todos esses anos e a gangorra se curvando sob o peso do tempo. Além do chão cheio de pedregulhos que ferem e dos remédios que ardem, mas nem curam.

Então eu brinco com palavras por isso: a verdade é o estar de cama quando o mundo poderia ser divertido. Com a gente brincando de esconde-esconde até você, desajeitado, tropeçar na primeira pedra.

Virgínia Celeste Carvalho

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8 pensamentos sobre “Poética da Infância

  1. Que sensação tão sublime é a de entrar, depois de muito tempo, em meu blog e ver na lista de blogs que sigo uma atualização tua, essa viagem para uma infância tão saborosa.
    Saudações Mestra, saudades!

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