Descubra-se

Melhor descobrir as pernas. Os pelos. Os seios. Ou cobrir todo corpo. Santa ou puta, tanto faz. Você sacia olhos ou a fé.

Nua ou vestida, seja livro de cabeceira ou panela de aço inox. Santa ou puta, tanto faz. Você sacia a fome dos hormônios ou da barriga.

Agora, trate de não descobrir as ideias. Descobrir ideias é descobrir feridas. Expostas e com pus, elas devoram e ardem. Elas não são benquistas assim: onde, ao menos, um band-aid, garota? Você escuta. Onde, ao menos, água para lavar a podridão, mulher?

Você sangra, mas a vítima não é você. O sangue é seu, mas você terá que enxugar a lágrima do outro. E ainda agradecer. Porque, às vezes, o sangue é seu, mas você mesma terá que estancar, porque apenas quererão limpar o sangue que sujou o piso.

Melhor descobrir as pernas e cruzar os dedos. Melhor cobrir-se toda e fingir não ter receio.

Agora, quando você se descobre e descobre suas ideias, não há dedo, só receio e um deus nos olhos alheios que te crucifica.

Só te resta, então, o foda-se. E o adeus.

Virgínia Celeste Carvalho

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