A Álisson da Hora

Era assim.

Um ponto fúnebre.

Me arrepiei e você disse: normal.

Não era.

Era tórrido, o gelo. Quase tangível, a névoa.

Mas você estava lá e eu disse: tudo bem.

 

Entramos assim, flechas dispersas que retornam à aljava.

Sangue, você disse, na flecha.

Eu ri, meio boba.

Você silenciou quase sério, e pisou sério, fazendo ranger o assoalho.

Não acorde os mortos, brinquei.

Aqui só há anjos, você me calou.

 

Silêncio, deveras o mais alto ruído.

Apenas um gim barato.

Sem água tônica, eu quis.

Pensei ter ouvido você me pedir perdão.

Mas era tarde.

E silêncio.

 

Virgínia Celeste Carvalho

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s