As Areias do Meu Bem

(ouvindo Frank)

Eram as areias que pousavam lentas.

Tornei a ampulheta no chão. Não pises, foi o que escutei. E o que eu queria era implodir aquela cena do filme. Discos eu lançaria ao ar, se lá eu estivesse, rodopiando como discos voadores de luzes vertiginosas.

Foda-se aquele silêncio.

Eu sou, de palavras, feita. Ora objetivas, ora alcoolizadas, mas sempre obscenas. E sorrio, vagabunda, retomando a ampulheta entre as palmas das mãos. E a intenção é jogá-la ao mar. Eu digo: não existirá trem, meu bem, nem bondinho, nem roda-gigante. Existe o espasmo em círculos bem menores por todo meu corpo.

Foda-se minhas palavras também.

Recoloco a ampulheta no local de sempre. Impávida e colossal.

A despeito de minha covardia, as areias não se apressam.

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