Clara

Para Marina Maria

Em corte,

Meu rosto se desenquadra

E minha identidade

Se desalinha.

Olho-me agora:

E do desconhecer alheio

Vem até a mim quem eu sou

Desnuda.

Me faço clara

Me desfaço dourada

Me refaço em luz.

Papa novo. E lá vamos nós, “escascavilhar” (sim, no interior de onde eu vim, a gente fala dessa forma) notícias sobre ele, como se um curriculum lattes fosse surgir em meio aos links do Google.  Mas nem! Achamos um monte de informação desencontrada e o conceito de que “signo é uma arena, onde se as classes se digladiam” (frase de Bakhtin, para que não sabe) fica bem claro. Fato é que o mesmo senhor que é acusado de crimes ditatoriais na Argentina é o mesmo que retoma o chamado de Deus a Francisco de Assis: “Francisco, restaura minha igreja”. E dessa história de Assis, eu sei bem, educada como fui em colégio de freira.

Eu, que sempre amei ficções, adorava a história de Francisco. E de Clara. Clara que, segundo as histórias, cortara seu cabelo para seguir a fé e a pobreza de Francisco. E eu não podia deixar de contar à Marina a história de Clara. Não em termos de verdade ou de fé em milagres, mas na fé de ideais e na representação simbólica da mudança. E do feminino.

Espero que ela goste do poema.

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